quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

PEDRA , PAPEL , TESOURA

 


"Pedra, Papel, Tesoura" (Rock Paper Scissors), da Alice Feeney, eleva o jogo para um nível de paranoia quase insuportável. É um thriller psicológico doméstico onde nada é o que parece, e o cenário isolado serve como uma panela de pressão prestes a explodir.

​Adam e Amelia Wright estão em crise. O casamento está por um fio. Quando ganham um fim de semana em um retiro nas Terras Altas da Escócia, parece a oportunidade perfeita para salvar a relação.
​O problema? O lugar é uma igreja convertida, isolada por uma tempestade de neve, sem sinal de celular e com um histórico sinistro.

​Adam sofre de prosopagnosia (cegueira facial). Ele não consegue reconhecer rostos — nem o de seus amigos, nem o de sua esposa. Imagine o nível de tensão de estar preso em um lugar escuro com alguém que você acha que conhece, mas cujo rosto você tecnicamente nunca "viu".

​A narrativa é intercalada por cartas que a esposa de Adam escreveu para ele em cada aniversário de casamento, mas que ele nunca leu. Elas revelam segredos guardados há dez anos e mostram que o rancor entre o casal é muito mais profundo do que imaginamos.

A autora usa a condição de Adam para criar uma desorientação total no leitor. Você começa a duvidar de quem está em qual cômodo e se as pessoas são quem dizem ser.

A tempestade de neve lá fora é tão perigosa quanto o que está acontecendo dentro da igreja. É o clássico "mistério da sala fechada" levado ao extremo moderno.

​Este livro é um labirinto de espelhos. Quando você acha que entendeu quem é o vilão, Alice Feeney puxa o tapete com uma revelação que faz você querer reler o livro inteiro imediatamente para ver o que perdeu.

​Nota: 5/5 💣

Aviso: Termine de ler antes de jogar "Pedra, Papel, Tesoura" com qualquer pessoa. Você nunca mais verá o jogo da mesma forma.

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