"Pedra,
Papel, Tesoura" (Rock Paper Scissors), da Alice Feeney, eleva o jogo
para um nível de paranoia quase insuportável. É um thriller psicológico
doméstico onde nada é o que parece, e o cenário isolado serve como uma
panela de pressão prestes a explodir. Adam e Amelia Wright
estão em crise. O casamento está por um fio. Quando ganham um fim de
semana em um retiro nas Terras Altas da Escócia, parece a oportunidade
perfeita para salvar a relação. O problema? O lugar é uma igreja
convertida, isolada por uma tempestade de neve, sem sinal de celular e
com um histórico sinistro. Adam sofre de prosopagnosia
(cegueira facial). Ele não consegue reconhecer rostos — nem o de seus
amigos, nem o de sua esposa. Imagine o nível de tensão de estar preso em
um lugar escuro com alguém que você acha que conhece, mas cujo rosto
você tecnicamente nunca "viu".
A narrativa é intercalada por
cartas que a esposa de Adam escreveu para ele em cada aniversário de
casamento, mas que ele nunca leu. Elas revelam segredos guardados há dez
anos e mostram que o rancor entre o casal é muito mais profundo do que
imaginamos. A autora usa a condição de Adam para criar uma
desorientação total no leitor. Você começa a duvidar de quem está em
qual cômodo e se as pessoas são quem dizem ser. A tempestade de
neve lá fora é tão perigosa quanto o que está acontecendo dentro da
igreja. É o clássico "mistério da sala fechada" levado ao extremo
moderno. Este livro é um labirinto de espelhos. Quando você
acha que entendeu quem é o vilão, Alice Feeney puxa o tapete com uma
revelação que faz você querer reler o livro inteiro imediatamente para
ver o que perdeu. Nota: 5/5 💣 Aviso: Termine de ler antes de jogar "Pedra, Papel, Tesoura" com qualquer pessoa. Você nunca mais verá o jogo da mesma forma.
Nenhum comentário:
Postar um comentário