Autora: Ka Hancock
Editora: Arqueiro
Lucy Houston e Mickey Chandler formam um casal que definitivamente não deveria ser um casal; a genética por eles herdada era como uma bomba preste a ser detonada: Lucy tem um histórico familiar de câncer de mama agressivo, que levou embora sua avó, sua mãe e sua tia; Mickey, um grave transtorno bipolar que o torna dependente de fortes medicamentos e o obriga a ocasionalmente passar algum tempo internado na ala psiquiátrica de um hospital. Quando eles se conhecem, no 21º aniversário dela, a magia entre os dois é imediata.
Apesar da oposição de sua irmã mais velha, Priss, e da violenta crise que presenciou Mickey ter ainda durante o namoro, Lucy contrariou a lógica, seguindo ao lado de Mickey e casando-se com ele. E para fazer o relacionamento dar certo, firmam um contrato por escrito, no qual Mickey promete tomar os remédios de acordo com o prescrito por seu psiquiatra e Lucy promete não culpá-lo pelas coisas que ele não consegue controlar.
Com poucos anos de casamento, Lucy descobre um tumor maligno em um dos seios e quase morre durante o tratamento, o que leva Mickey a uma terrível crise, após a qual eles decidem acrescentar mais uma regra ao contrato: jamais teriam filhos para não transmitirem suas heranças genéticas. E é a partir dessa regra que a história se desenrola: apesar de ter-se submetido a uma laqueadura alguns anos antes, no 11º aniversário de casamento, Lucy, durante uma consulta de rotina, descobre-se grávida. E tudo muda em relação a tudo que ela e Mickey esperavam de sua relação.
"Ambos choramos o tempo todo e nos apegamos ao momento. Quando terminou, nos demos conta de que provavelmente havia sido a última vez.”
O livro começa com Lucy espreita pai e, poucos dias depois, O livro, narrado integralmente em primeira pessoa, alterna o presente com flashbacks e a narrativa do ponto de vista de Lucy com as bem datadas anotações de Mickey.
Boa parte dos flashbacks, a propósito, é narrada desde o ponto de vista de Mickey, o que me encantou profundamente. Em suas anotações lembra como conheceu Lucy, como se apaixonaram, a primeira crise que ela presenciou, o casamento deles, a doença de Lucy, as experiências dele na reabilitação. Eu, profundamente, Adoro esse recurso, pois acredito que torna a história mais completa e factível, visto que nos leva a ter um maior envolvimento com cada protagonista.
No decorrer dos fatos o enredo se desenrolam de maneira intensa e surpreendente. Infelizmente, se eu falar mais estarei dando spoilers, o que eu não gosto de fazer. O que posso dizer é que “Dançando sobre Cacos de Vidro” é de uma sensibilidade inegável e magistral e Ka Hancock consegue fazer com que realmente nos coloquemos no lugar de cada um de seus personagens tão bem construídos e que nos surpreendamos com os caminhos pelos quais as vidas de Lucy e Mickey são conduzidos.
Ela nos faz sentir a realidade com momentos felizes, momentos tristes, momentos profundamente dolorosos.
E eu me chorei, gargalhei muito com cada alegria e tristeza narrados; eu me apeguei àqueles personagens de uma maneira que quetia estar dentro das páginas para protege-los, para chorar com eles, sorrir com eles... A minha comoção foi inevitável e eu constantemente sentia meus olhos inundarem a cada linha que eu avançava. E é isso que eu gosto em livros; que os livros me façam sentir como os personagens, que aquela história se torne palpável para mim, e Ka Hancock o fez com maestria.
Enquanto eu estava deitada ali, nas garras da agonia, algo se agitou contra as minhas pálpebras, quase me fazendo engasgar. […] Era ela.”
Esse foi com toda a sinceridade o melhor dos melhores livro que li em 2014 . Que LIVRO, QUE ESTÓRIA. Recomendo a todos.
Di Frota

