quarta-feira, 26 de junho de 2019

Resenha : A mulher na Janela

Creio que vcs já leram A GAROTA NO TREM, talvez pareça familiar, mas A MULHER NA JANELA segue um caminho bem diferente. A Mulher na Janela foi uma das melhores leituras que fiz até agora em 2019 e me deixou agoniada com todo o desenrolar da narrativa.
  

“Qual será o problema dessa casa? É nela que o amor se instala para morrer.”

Há, claro, dicas ao longo da narrativa e é possível sacar algumas coisas, mas a dúvida que paira constantemente no ar sobre o que é real e o que foi imaginado pela mente alucinante da personagem dá um peso diferente ao que achamos que sabemos e passamos a duvidar também do que já lemos e armazenamos como prova. E isso é muito legal!



A protagonista tem um problema com a bebida, mas ela não é de toda errada. Ela faz acompanhamento médico, faz exercícios, tenta ajudar os outros, faz aulas de francês. Mesmo isolada e sofrendo com a fobia de por um passo pra fora, ela “tenta” manter a sanidade. Aliás, até grande parte do livro, o álcool que ela consome nem chega a nos incomodar, porque não vemos a confusão que a cabeça dela pode estar montando, e é provavelmente por causa disso, que somos surpreendidos.

Será que Anna imaginou o que viu? Será que é tudo uma armação? Será que estão mentindo pra ela? Será que ela está ficando doida? É uma espiral de tantos questionamentos, pensamentos e fatos, que vamos ficando confusos junto com a personagem. E, acho que uma das coisas mais legais é a indução que sofremos. Anna é psicóloga, então ela sabe ler as pessoas pelo menos um pouco. Mas com sua fobia e seu trauma, a leitura dela como psicologa acaba confundindo tanto ela quanto nós leitores. Com essas leituras ela nos dá dicas. Mas será que suas leituras estão corretas ou sua mente prega ainda mais peças?

O LIVRO trabalha mais do que o suspense, há temas importantes sendo debatidos aqui, como a agorafobia, o alcoolismo, o consumo errado de medicamento, a importância do acompanhamento psicológico, violência familiar, violência contra a mulher e uma série de outras questões que serviriam como spoiler se eu mencionasse aqui.

O livro é todo do ponto de vista de Anna, e apesar de suas mais de 300 páginas, a escrita do autor é muito fluida.
Só digo uma coisa: LEIAM "A MULHER NA JANELA, LEIAM ESTE LIVRO, LEIAM"

Flávia Di Frota

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